Gigante Ronco
Era uma vez uma vila muito tranquila, onde os grilos cantavam baixinho e o vento soprava devagar. Mas, de repente, tudo mudou. Em uma noite, um barulho terrível começou a assustar os moradores: RONC! ROOONC! O chão tremia e as janelas batiam.
Todo mundo na vila tinha certeza de uma coisa: aquilo era obra de um gigante. "Ele deve ser enorme e estar furioso!", dizia o padeiro, escondido debaixo do balcão. "Deve ter dentes de pedra!", cochichava a professora. O medo era tanto — e o barulho tão alto — que ninguém mais conseguia pregar o olho.
Um dia passou, dois dias... Três dias! E toda noite se ouvia o enorme barulho do gigante. Ninguém dormia bem na vila!
No meio de tanta gente assustada, havia um jovem chamado Pedro. Ele era muito corajoso, mas, acima de tudo, estava morrendo de sono. Ele andava bocejando pelos cantos, tropeçando de cansaço. Cansado daquela barulheira, ele decidiu: "Vou lá em cima encarar esse gigante. Eu preciso dormir!"
Pedro pegou uma lanterna e seguiu o som. Ele atravessou a vila deserta, desceu a colina cheia de neblina e começou a subir a montanha de pedras. Quanto mais ele andava, mais alto o ronco ficava. Parecia um trovão!
O som levava direto para uma caverna escura no topo da montanha. Pedro engoliu o medo, preparou sua voz mais valente e entrou na caverna. Mas, quando ele iluminou o fundo com a lanterna, teve uma surpresa incrível. Não havia gigante nenhum.
Lá no fundo, dormia um ratinho minúsculo, de barriga para cima. Acontece que a caverna tinha um formato especial, como se fosse uma corneta ou uma flauta enorme. O roncado fininho do rato batia nas paredes, ecoava e saía da boca da caverna transformado naquele barulho estrondoso.
Pedro cutucou o ratinho devagar. O bichinho acordou assustado, esfregando os olhos. Pedro explicou a confusão e viu que o ratinho ficou triste. "Ah, desculpe", disse o rato. "É que aqui na caverna é um pouquinho mais quente do que lá fora."
O jovem então teve uma ideia. Ele pegou o ratinho com cuidado e disse: "Eu tenho a solução para nós dois". Pedro levou o novo amigo para casa e preparou uma caixinha de sapatos forrada com algodão bem fofinho e quente.
Naquela noite, o ratinho dormiu aquecido na caixa e não fez nenhum barulho. Pedro e a vila finalmente conseguiram descansar em paz novamente.