Ambiente Noir

Macaquinho barulhento

Na copa mais alta da floresta vivia uma família de macacos. Eram todos muito animados! Riam alto, pulavam de galho em galho fazendo a árvore inteira balançar, e adoravam pregar peças uns nos outros.

Entre eles estava o pequeno Kito. Ele aprendeu desde cedo que ser barulhento e brincalhão era a melhor forma de viver.

Certa manhã, Kito saiu sozinho para explorar. Estava entediado e queria encontrar alguém para brincar. Logo avistou uma coruja dormindo no oco de uma árvore. Que legal! Uma nova amiga!, pensou Kito.

Subiu até lá e começou a gritar bem no ouvido dela: "ACORDA! ACORDA! VAMOS BRINCAR!"

A coruja abriu os olhos lentamente, irritada. "Eu trabalho a noite toda e durmo de dia..." disse ela com a voz cansada. "Por favor, me deixe em paz. E voou para longe, procurando outro lugar para descansar".

Kito deu de ombros e continuou pulando pelos galhos. Logo viu uma tartaruga caminhando devagar pelo chão da floresta. Oi, tartaruga! Você é muito lenta! Deixa eu te ajudar!

Sem esperar resposta, pegou a tartaruga e a carregou para longe, achando aquilo muito divertido.

"Me põe no chão! reclamou a tartaruga. Eu estava indo para o lago! Agora você me trouxe para o lado errado da floresta"! Kito a largou e saiu correndo, rindo.

Mais adiante, encontrou uma família de lobinhos pescando no rio. Eles estavam quietinhos, esperando os peixes se aproximarem. Kito achou aquilo muito chato. Vamos animar isso aqui! gritou.

E começou a pular na água, fazendo barulho e espalhando água para todos os lados. Os peixes fugiram assustados, e os lobinhos olharam para Kito com raiva.

"Você estragou nossa pescaria"! disse o lobinho mais velho. "Agora vamos ficar com fome"! E foram embora, resmungando.

No final do dia, o velho Urso estava contando uma história para os bichinhos. Todo mundo estava quietinho ouvindo. "Eu sei essa história"! interrompeu Kito, pulando no meio da roda. "Deixa que eu conto! É assim: o elefante foi lá, então..." E começou a falar mais alto que o velho Urso, mudando a história, fazendo barulho, não deixando ninguém ouvir direito.

O urso suspirou, levantou-se e foi embora. Todos os bichinhos foram embora também, chateados. Kito ficou sozinho. "Ei, pessoal! Voltem! A história estava ficando boa"! Mas ninguém voltou.

Nos dias seguintes, Kito percebeu que algo estava errado. Toda vez que se aproximava de alguém, os animais se afastavam. Ninguém queria brincar com ele. Triste e confuso, Kito se sentou sozinho num galho. Foi quando a coruja pousou ao seu lado.

"Você está chateado", disse a coruja. Ninguém quer ser meu amigo, respondeu Kito, com a voz baixinha.

"Isso acontece quando você só pensa em si mesmo", disse a coruja. "Nem todo mundo gosta de brincadeira o tempo todo. Eu preciso dormir. A tartaruga tem o próprio ritmo. Os lobinhos precisam de silêncio para pescar. O urso gosta de contar a própria história".

Kito abaixou a cabeça. "Mas eu só queria me divertir..."

"E os outros"? perguntou a coruja. "Eles também merecem se sentir bem. Você precisa prestar atenção no que cada um precisa, não impor o que você quer o tempo todo. Ser amigo é saber a hora de brincar e a hora de respeitar".

A coruja voou, deixando Kito pensando sozinho por um longo tempo.

No dia seguinte, Kito acordou diferente. Passou pela árvore da coruja e, vendo que ela dormia, seguiu em silêncio. Encontrou a tartaruga e apenas disse: "Você está quase lá!".

Viu os lobinhos pescando e ficou quieto, observando de longe. Quando pegaram um peixe, ele comemorou baixinho junto com eles. Quando o velho Urso começou a contar outra história, Kito se sentou e ficou em silêncio, ouvindo até o final.

Aos poucos, Kito aprendeu que ainda podia ser alegre e brincalhão, mas também podia ser gentil e atencioso.

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